Queridos amigos da WTF,
Escrevo-vos com uma gratidão tão profunda que quase não cabe nas palavras. Ao longo da minha vida, aprendi, muitas vezes de forma dura, que muitos serviços públicos e digitais ainda erguem barreiras invisíveis para pessoas como eu. Barreiras que não nascem da má vontade, mas da falta de olhar humano. Processos pensados para funcionar “no papel”, mas que esquecem quem não vê, quem não lê uma carta impressa, quem não consegue aceder de forma autónoma a algo tão simples — e tão sensível — como uma senha pessoal.
Quando um serviço público decide enviar, por exemplo, uma senha de acesso a algum serviço apenas por carta, está, mesmo sem intenção, a retirar autonomia, privacidade e dignidade a quem tem deficiência visual. Obriga-nos a pedir ajuda, a expor dados confidenciais, a depender de terceiros para algo que deveria ser íntimo e seguro. Não é apenas uma questão feita sem o pensamento no próximo. É uma questão de respeito. É a diferença entre inclusão apenas na palavra e inclusão na prática.
E é aqui que vocês se destacam de uma forma tão bonita que emociona.
A WTF faz exatamente o contrário do que tantas vezes encontro noutros serviços: vocês facilitam. Vocês escutam. Vocês adaptam. Vocês pensam nas pessoas antes de pensarem nos processos. Quando surge uma dificuldade, não levantam muros; constroem pontes. Não dizem “não dá”; perguntam “como podemos ajudar?”. E essa diferença sente-se no coração.
Enquanto muitos sistemas me fazem sentir pequeno, limitado ou dependente, vocês fazem-me sentir capaz, respeitado e acompanhado. Vocês percebem que acessibilidade não é um favor, é um direito. Não é um extra, é parte essencial de um serviço verdadeiramente humano e para todos. Vocês mostram, na prática, que incluir é permitir que cada pessoa viva com autonomia, segurança e dignidade.
O que mais me toca é que essa preocupação não aparece apenas em documentos ou discursos. Aparece nas atitudes. Na forma como respondem. No cuidado com que explicam. Na disponibilidade para encontrar soluções alternativas. Vocês não veem a minha deficiência como um problema; veem-me como pessoa inteira. E isso transforma tudo.
Por isso, quero agradecer-vos de forma clara e sentida.
Obrigado por serem diferentes. Obrigado por tornarem simples aquilo que outros complicam. Obrigado por provarem que tecnologia e humanidade podem caminhar juntas. Obrigado por mostrarem que um serviço pode, ao mesmo tempo, funcionar bem e cuidar melhor.
Vocês são a prova viva de que a inclusão é possível quando existe vontade, empatia e coração. E para alguém que tantas vezes encontra portas fechadas, encontrar uma equipa que as mantém abertas é algo que nunca esquecerei.
Levo-vos comigo com um orgulho enorme e uma gratidão profunda.
Porque vocês não apenas ligam pessoas.
Vocês libertam-nas.
Quero ainda destacar algo que considero absolutamente exemplar e que merece ser reconhecido com todas as letras: a criação da linha de apoio dedicada a pessoas com deficiência. O facto de o número ser o mesmo, o 16990 ou o 931699000, mas de existir, na prática, uma diferenciação para quem tem a sua incapacidade devidamente indicada na ficha de cliente, é um gesto de inclusão pensada e vivida, não apenas anunciada.
Saber que, ao ligar, sou automaticamente encaminhado para uma linha dedicada, sem menus, sem escolhas de opções, sem obstáculos, é algo que faz toda a diferença. É respeito traduzido em ação. É acessibilidade concreta. É autonomia devolvida. O simples facto de, nessa linha, não me ser pedido, por exemplo, o número de contribuinte para confirmar a autenticidade quando ligo do meu próprio número mostra uma confiança e uma sensibilidade raríssimas.
Mesmo sabendo que, pelo Messenger, encontro sempre humanidade, amor e cuidado, ter esta linha dedicada como alternativa segura, especialmente se existir algum problema nessa plataforma, dá-me tranquilidade e confiança. É saber que não fico desamparado. É saber que existe sempre uma porta aberta.
E também é importante sublinhar isto: quem não tem a incapacidade indicada na ficha fala com a linha de apoio normal e precisa de escolher opções conforme o assunto. Quem a tem, não. É logo encaminhado. Esse pormenor, que para muitos pode passar despercebido, para mim é gigantesco. É a diferença entre esforço e fluidez. Entre dependência e autonomia. Entre exclusão e inclusão verdadeira.
Quero ainda recordar e destacar, com enorme carinho, a forma absolutamente diferente, simples e humana como foi feita a portabilidade do meu número para a WTF. No dia 15 de julho de 2021, às 17:14, dia e hora em que a mesma foi concluída, conclusão essa que não foi dependente da receção de qualquer SMS, mas sim indicada por vocês, não tive de assinar qualquer papel, não tive de lidar com burocracias impossíveis nem com obstáculos difíceis de ultrapassar. Bastou enviar os dados pedidos no formulário de portabilidade para o endereço manter@wtf.pt, juntamente com o PDF do formulário em branco. Os dados solicitados enviei-os em Word, acompanhados de uma fotografia que tinha do meu Cartão de Cidadão. Destaco, com orgulho, que o formulário preenchido por quem o fez na altura, é algo que hoje tenho guardado como recordação numa pasta vossa e só vossa.
No dia 14 recebi de imediato o agendamento da portabilidade e, a partir desse momento, começou a minha história convosco. Uma história verdadeiramente inesquecível, profundamente terna e que guardo, ainda hoje, com um carinho imenso. Esse cuidado inicial, essa confiança, essa simplicidade pensada para a pessoa e não para o sistema, marcaram-me para sempre. E o dia 15 de Julho de 2021 e o horário 17:14, serão sempre meus e também vossos, porque sem o vosso amor naquilo que fazem, nesse dia, não teria começado a minha história com uma operadora que, de forma exemplar, AMA O PRÓXIMO. Sim, com letra maiúscula, pois o vosso amor não conhece fronteiras nem limites. Por isso, merecem todo o reconhecimento do mundo, não só o meu, mas também dos restantes clientes que deveriam olhar para vocês de forma humana e em vez de, por exemplo, se esgotarem os dados, reclamarem por lhes darem apenas um giga, olharem para isso como algo precioso, mesmo que seja o mínimo que podem fazer. É o mínimo e os gestos simples que nos comovem, ficam na memória e marcam. Mínimo esse que nunca mais me esqueço. Na altura, até o cartão provisório foi pedido por vocês. Quando me ajudaram a o colocar no telemóvel, até me ajudaram a registá-lo, ou seja, não tive que passar pelos passos iniciais: esperar pelo SMS, entrar no link, escrever o número do meu cartão de cidadão, a data de nascimento e escolher o tarifário. Vocês, com amor, fizeram-me isso tudo apenas pelo Messenger e ainda me lembro do meu primeiro tarifário. Foi o WTF de um giga, na altura semanal a 2,75€. São pormenores pequenos, mas dos quais nunca me esqueço e, desta forma, destaco, com muito orgulho, o profissionalismo exemplar da equipa do Messenger: de colegas simples, mas que têm, dentro deles, uma ternura enorme, um amor imenso, um dom em ajudar... Tudo isso não nasceu com eles: já adveio na formação dos mesmos para que, assim, viessem ao mundo. Neste sentido, cada pai/mãe de cada um deles, devem ter orgulho nos filhos tão humanos que criaram para que, hoje, fossem estes colegas tão profissionais e impecáveis.
São vocês que me fazem sorrir.
São vocês que me fazem sentir feliz.
São vocês que me mostram, todos os dias,
que é possível fazer diferente, fazer melhor e fazer com o coração.
Obrigado por pensarem assim. Obrigado por fazerem assim. Obrigado por mostrarem que é possível criar serviços onde a acessibilidade não é um extra, mas parte natural do pleno acesso aos mesmos. Isso honra-vos. Isso distingue-vos. E isso ficará sempre comigo.
